Welcome home, son
Não dá pra voltar “ao normal”
Eu mudei
Eu aprendi
Eu cresci
Eu vi
Eu sofri
Eu expandi o meu mundo
Eu aumentei a minha percepção
E voltei
Voltei pra casa!
Corinthians X Boca Juniors
Ontem mesmo, assim que acabou o jogo, iniciei minhas preces por Corinthians e Boca Juniors na final da Libertadores. Já imaginaram como seria esse embate de milhões? São tantas as crônicas nesse jogo que, a mim, que nem sou torcedor, já aparecem as expectativas por emoções intensas. Que bonito não seria…
Só para início de conversa, já há um belíssimo Brasil e Argentina. Mas é Brasil mais Brasil. Desculpem-me todas as torcidas, mas não há nada mais brasileiro que o Corinthians. O sofrimento, a emoção, a entrega e a raça que, admitam ou não, estão presentes no Corinthians e nos corintianos mais do que em qualquer lugar, isso é Brasil. E é a Argentina mais Argentina. A idolatria, o fanatismo e a necessidade de culto dos hermanos tomam corpo, alma e voz en La Bombonera.
Boca de Riquelme, Palacio, Palermo, Tevez… Boca de Maradona, o deus máximo do futebol e do fanatismo argentino! O Boca, símbolo máximo dos descamisados argentinos… A Evita Perón do Futebol! O que nos leva ao Corinthians…
“Corintiano, maloqueiro, sofredor…”, Corinthians é a nação dos pobres brasileiros. De todos os pobres, sejam eles dos bairros nobres da zona sul paulistana ou do coração de Itaquera, solo sagrado da casa corintiana. E nada mais brasileiro que destruir fronteiras e abraçar a todos. Nem ricos, nem pobres, nem pretos, nem brancos, nem católicos, nem protestantes (perdão pelos clichês, senhores), eles são corintianos. Há quem chame alienação, eu chamo identificação. Corinthians é o espelho onde milhões se enxergam, é o manto que milhões fazem de pele, é a voz do povo gritada de forma colossal: “AQUI TEM UM BANDO DE LOCO!”. E a Libertadores é o estigma que eles carregam.
Cem anos de história, a maior das torcidas e um espinho na carne do tamanho da América. O que fará de Boca e Corinthians um duelo de gigantes em que há um Davi e um Golias. De um lado o colosso brasileiro, como time pequeno em sua primeira final de libertadores; do outro o titânico argentino, seis vezes campeão da América, seu conquistador mais ilustre.
Ah, imaginem La Bombonera, tremendo, aos gritos, tambores e pulos para essa final! Aquela tonelada de serpentina em campo, os sinalizadores enchendo o estádio de fumaça e até o laser que certamente será apontado ao rosto do goleiro Cássio… E o Pacaembu? Ontem, descobri que poucas coisas podem ser tão bonitas quanto o Pacaembu pintado de preto pelos milhares fanáticos gritando em uníssono o hino de sua pátria mãe! Uma legião de apaixonados!
De um lado, a torcida mais bonita do Brasil, do outro, a torcida mais bonita a Argentina, e do mundo. O duelo dos sofredores, do gol aos 47 do segundo tempo, do “teste pra cardíaco”.
Se o Corinthians ganhar? Há quem diga que o mundo acaba. O brilho no rosto, o choro, a alegria incontida, o grito de 30 milhões amadurecido por 100 anos… A odisseia do Davi centenário, o fim da epopeia de um herói, Tite.
Se o Corinthians perder? A paixão boquense como se fosse a primeira vez, Riquelme endeusado… O choro dos corintianos por chegar a tocar o sonho e vê-lo despedaçar-se; ah, a beleza da tragédia. Tragédia, conquista, choro, alegria, explosão… Tudo isso manifesto e atestado no corpo e na alma de milhões, isso será Boca e Corinthians! Que os deuses do Futebol me permitam ver em vida esse Corinthians e Boca Juniors! O momento mais hollywoodiano da história do Futebol.
Boca e Corinthians será a Libertadores resumida e significada, o apogeu do Futebol na sua forma mais bonita… Boca e Corinthians será a síntese última do sentimento latino-americano… A crônica da paixão! Deixa a bola rolar…
(Escrito por Ramon Vilarino em 24/05/2012)
be
Disseram que a vida é uma caminhada, que saber é uma caminhada, que o crescimento é uma caminhada. De fato, são. Mas não essa caminhada comum, linear, que se importa sempre onde se está, ou que, aonde se chegar é síntese última de tudo que aconteceu. Tudo que se passou não se resume ao agora… Tudo o que passou trouxe-nos até aqui, mas o hoje não é produto do ontem.
Existe algo de especial nessa percepção. Quando dizem que mais que a chegada, o que importa é a jornada, a gente sempre pensa no crescimento e no aprendizado como o resultado maior dessa experiência, e estes são adquiridos ao longo da jornada. Mas e se a jornada for em direção ao crescimento? Se o saber e o aprendizado forem o ponto de chegada, qual o valor da jornada, então? Se saber implica ser, o que há mais importante do que o que seremos, do que o produto da experiência? Essa afirmação – da jornada ser mais importante que a chegada – pode ganhar novo significado.
A vida é feita de momentos. Só que a relação estabelecida entre essas duas coisas não é a de causa e efeito, parcela e produto. É de integração, de interação… É uma relação intrínseca de interdependência. A vida, apesar de resultar da soma dos momentos, não é mais ou menos importantes do que estes. Porque os momentos seguram em si o que a síntese não pode segurar. Os momentos contêm as experiências, as sensações, as emoções. Os momentos são a tela onde se projetam os sentimentos.
Existe um frescor no agora, um sabor no hoje, um brilho especial no instante, que é o responsável por dar impulso às nossas vidas. Os momentos são os passos que damos em direção a nossas histórias, nossos valores, nossas ideias, ideais… A quem somos. Os momentos são a jornada, o caminho. E a jornada, nesse caso é tão importante, porque através dos passos, antes de nos tornarmos quem nós somos ou quem seremos, nós nos tornamos humanos.
Agir, irar, chorar, sofrer, temer, precisar, querer, gostar, amar… Todas essas coisas nos fazem vulneráveis, mostram o quão fracos somos. Estas coisas são vivenciadas nos momentos, em cada pedacinho pequeno e específico da vida. Esta é a importância do agora, esse é o brilho especial do instante. Antes ser o que viremos a ser, temos que estar. O estar é a jornada, é a caminhada; sem o estar, não podemos ser. Porque é o estar que dividimos, são as fraquezas que nos unem, são nos momentos, mesmo que distintos, que vivenciamos e podemos até ver o amor tão divino que estamos aprendendo. Esteja.
(Escrito por Ramon Vilarino em 23/05/2012)
(Source: fuckyeahmovieposters)
(Source: deposito-de-tirinhas)
(Source: deposito-de-tirinhas)
Golden Coke
Volto pra casa observando a chuva que cai pela janela do trem. Chuva caindo, assim, á noite, é sempre bonito. Sinto que algo na minha vida mudou, algo está diferente.
Estou mais leve, estou feliz. E quando penso em todas as coisas que me têm acontecido, tenho vontade de sorrir. Me sinto livre e sem necessidades. Hoje, eu apenas sou.
Há poucas coisas que importam e poucas que deveriam importar; e, de repente, pareço ter todas elas perto de mim.
Não sei justificar essa alegria, quando, nos últimos dias, quase nada saiu como eu esperava. Sucesso não é. Sim, algumas surpresas maravilhosas, mas não uso delas para justificar o balanço positivo que faço dessa série de apostas frustradas que colecionei. Hoje a vida não é matéria de contador.
Essa noite, aqui, sentado no banco do trem… Pensando em todas as coisas que poderia ter e em todas as coisas que eu não imaginaria ter e tenho… Essa noite, aqui, a chuva caindo e a lua escondida atrás das nuvens… Olho o mundo nos olhos, e tudo parece apenas o começo do que está por vir.
(Escrito por Ramon Vilarino em 14/05/2012)
(:
(Source: vaidoa)
simpli(feli)cidade
Faz tempo que não escrevo uma crônica direita, daquelas com C maiúsculo, características do estilo. Faz tempo que não resolvo lhes contar os meus causos – ou dos outros – misturados com as minhas reflexões. É porque faz tempo que não sou afetado como hoje pela simplicidade. Crônica é coisa simples, sem desejo de requinte, como música dos sertões. E por isso que é bonita. Nada mais lindo que a simplicidade.
Fui tocado pela simplicidade, o que significa que o dia hoje não foi nada extraordinário, mas já vão entender porque ele merece registro.
Feriado, e ultimamente tenho tido a benção de fazer novos amigos, fomos convidados pra passar o dia na casa de alguns deles – uma família toda de novos amigos – eu e o meu mais amigo dos amigos. Família linda, deve-se dizer. Pai, mãe e duas filhas tão acolhedores e carinhosos quanto se pode conceber. E foi um dia maravilhoso.
Comi. Comi bastante e das formas mais variadas, de churrasco a cappuccinos, passando por mousses e tortas. Nada mais socializador do que comida, e, graças ao bom Deus, no Brasil, mantemos com afinco esse hábito de nos comungarmos em volta da mesa.
Como é natural das famílias acolhedoras, eles não reservaram o dia para receber apenas a mim e a meu amigo. Na casa, também havia outra belíssima família, pais de uma das crianças mais bonitas que já vi. Todos juntos para completar a familiaridade dos momentos.
Crianças. Pouquíssimas coisas podem ser mais bonitas e revigorantes que crianças. E eu, como legítimo representante da classe dos bobos, adoro brincar com elas. Brinquei muito. Corri, caí e me joguei no chão, fiz cócegas, recebi abraços… Tudo com duas menininhas muito lindas, uma da casa, outra, um pouco mais nova, visita como eu.
Como é natural dos encontros entre amigos, conversamos. Trocamos histórias, piadas, gracejos e muitos, muitos sorrisos e risadas. E pra terminar o dia, sentamos todos na sala para meu amigo e eu tocarmos violão.
Depois disso ainda jogamos videogame e ainda rimos e conversamos bastante. E, como você pode ver, leitor, foi um dia comum. Esse cenário provavelmente foi repetido em centenas de casas brasileiras nesse primeiro de maio. Mas no meio de toda essa ode à simplicidade, uma coisa muito peculiar aconteceu: fui feliz.
A felicidade é simples. Nós insistimos em complicá-la, teimamos que ela precisa de um batalhão de razões, móvitos e pré-requisitos… Mas a verdade é que a felicidade nada tem de complicado. Ela habita em momentos como esse, discreta, sem chamar atenção, invadindo os corações devagarinho e nos fazendo esquecer as complicações do amanhã enquanto nos concentramos na companhia e no riso das pessoas que gostamos. Nunca se é mais feliz do que na simplicidade. Dormirei feliz.
(Escrito por Ramon Vilarino em 01/05/2012)
sobre todas as coisas
Olho-te nos olhos e pergunto-te: quem entre os homens possuirá alguma certeza? Quem poderá dizer ao certo o que é, o que será ou mesmo o que foi? Quem entre os homens saberá o que dizer, o que fazer ou para onde ir? Não há quem o possa.
E quando olhos nos teus olhos, é isso que se faz de mim. Quando te fito a alma, me faço mais homem, mais mortal, mais de carne e osso.
Quando te sinto a mão, se proliferam os meus medos, se multiplicam as minhas angústias e se revelam as minhas finitudes.
Quando me desfaço por teu sorriso, não sei mais o que sou, o que fui, o que serei. Quando te desejo os lábios, não há o que fazer, o que sentir, o que pensar.
Apenas tu e eu. É o que resta; tudo o que resta. Naqueles momentos, quando ouço a tua voz, observo teus cabelos e, com a alma e o coração calados, contemplo quem tu és… Nesses momentos, vão-se embora todas as falsas certezas e toda pífia ciência que minha arrogância acredita ter. Vai-se tudo para dar lugar à única verdade, que é saber que os instantes ao teu lado são instantes felizes. E nada mais há que se precise saber.
(Escrito por Ramon Vilarino em 19/04/2012)
(Source: fuckyeahmovieposters)
(Source: deposito-de-tirinhas)
(Source: applesandbriannas, via vireodisco)
(Source: fuckyeahmovieposters)
